Autolesão na adolescência: Como Identificar os Sinais e Ajudar seu Filho

A adolescência é um período de descobertas, mudanças e diversos desafios. Nesse contexto, alguns jovens com problemas emocionais podem recorrer à autolesão — comportamento em que o próprio corpo é ferido de forma intencional, geralmente sem objetivo suicida imediato. Essa prática vem aumentando nos últimos anos, tanto em meninas como em meninos.

É importante salientar que, apesar de mais frequentemente esse comportamento surgir na adolescência, pode ocorrer também em crianças ou iniciar já na vida adulta.

Apesar de, muitas vezes, estar associada ao alívio momentâneo da dor emocional, a autolesão é um sinal de alerta importante que merece atenção da família e acompanhamento profissional especializado.
Pode ocorrer de forma autolimitada, como pode persistir e tornar-se uma atitude recorrente.


O que é a autolesão e por que alguns adolescentes fazem isso?

A autolesão na adolescência pode aparecer na forma de cortes, arranhões, queimaduras ou outros ferimentos autoinduzidos. Em geral, esse comportamento surge como uma tentativa de lidar com emoções intensas, como tristeza, ansiedade, raiva ou sensação de vazio. Assim, além da obtenção de alívio para estado de cognição negativa, pode ser realizada com a intenção de resolver alguma dificuldade interpessoal ou até mesmo induzir um estado de sentimento positivo.

Ela pode estar associada a:

  • Transtornos de ansiedade e depressão
  • Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)
  • Transtornos do espectro autista (TEA)
  • Baixa autoestima e dificuldades de relacionamento
  • Transtorno de personalidade borderline

Mais do que um “ato de rebeldia”, a autolesão é um pedido de ajuda silencioso e denota sofrimento de quem a pratica.


Principais sinais de autolesão em adolescentes

Nem sempre o adolescente fala sobre o que sente. Inclusive, geralmente o que ocorre é uma tentativa de esconder esse comportamento. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis estejam atentos a mudanças de atitudes e sinais físicos, como:

  • Ferimentos frequentes e mal explicados (cortes, arranhões, queimaduras) geralmente em braços, punhos, pernas e tronco
  • Uso constante de roupas longas, mesmo em dias quentes
  • Isolamento social e afastamento de amigos e familiares
  • Alterações bruscas de humor, irritabilidade ou apatia
  • Histórico ou suspeita de bullying
  • Baixa autoestima e falas de desvalorização pessoal
  • Presença de objetos cortantes guardados no quarto

Perceber esses sinais pode ser o primeiro passo para evitar que o problema se agrave.


Como conversar com um adolescente que se automutila?

Falar sobre autolesão é delicado, mas extremamente necessário. Algumas orientações para pais e responsáveis:

  • Escute sem julgamento: acolha o adolescente sem críticas ou sermões. Tente agir de forma tranquila e compreensiva.
  • Mostre apoio e preocupação genuína: deixe claro que ele não está sozinho.
  • Evite minimizar a dor: frases como “isso é bobagem” podem aumentar o sofrimento além de implicar em sensação de julgamento.
  • Busque ajuda especializada: apenas um profissional pode avaliar e indicar o tratamento adequado.

Tratamento: quando procurar um psiquiatra?

Quando há sinais de autolesão em adolescentes, a avaliação psiquiátrica está bem indicada. O psiquiatra irá:

  • Realizar uma avaliação detalhada do adolescente e da família
  • Investigar causas emocionais, sociais e biológicas do comportamento
  • Elaborar um plano terapêutico personalizado (psicoterapia, mudanças de rotina, suporte escolar e, em alguns casos, medicação)

O acompanhamento especializado permite que o adolescente encontre formas mais saudáveis de lidar com as emoções, reduzindo os riscos e fortalecendo sua saúde mental.


Conclusão: a importância do acolhimento e do tratamento

A autolesão na adolescência nunca deve ser ignorada. Ela é um sinal de que o jovem está enfrentando dificuldades emocionais que precisam de atenção.

Pais e responsáveis têm um papel fundamental: observar, acolher e procurar ajuda profissional. Quanto mais cedo o adolescente for acompanhado, maiores são as chances de recuperação e de prevenção de problemas mais graves no futuro.

👉 Se você identificou sinais de autolesão no seu filho, agende uma consulta. Um atendimento especializado pode transformar essa fase difícil em um caminho de cuidado, acolhimento e novas possibilidades.

Fontes Utilizadas

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
    • Documento: Transtornos mentais na infância e adolescência
    • Disponível em: https://www.sbp.com.br
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS)
    • Relatórios sobre saúde mental de adolescentes e comportamento de risco.
    • Disponível em: https://www.who.int
  3. American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (AACAP)
    • Facts for Families: Self-injury in Adolescents
    • Disponível em: https://www.aacap.org
  4. Manual MSD (versão para profissionais de saúde)
    • Seção: Autolesão não suicida
    • Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional
  5. Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA (NIMH)
    • Publicação: Suicide and Self-Harm in Adolescents
    • Disponível em: https://www.nimh.nih.gov
  6. Ministério da Saúde – Brasil
  7. Como lidar com a automutilação – Guia prático para familiares, professores e jovens que lidam com o problema da automutilação – Org. Eduardo W. Aratangy et al. 4ª edição, editora Hogrefe.
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