Mitos e Verdades Sobre o Suicídio: O Que Você Precisa Saber

O suicídio ainda é um dos temas mais cercados de tabu e desinformação. Muitas pessoas evitam falar sobre o assunto, o que acaba aumentando o preconceito e dificultando que quem sofre busque ajuda.

Entender os mitos e verdades sobre o suicídio é fundamental para oferecer apoio, reconhecer sinais de alerta e incentivar a busca por acompanhamento especializado.

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Mitos mais comuns sobre o suicídio

“Quem fala em suicídio só quer chamar atenção”

Esse é um dos maiores equívocos. Falar sobre suicídio geralmente é um pedido de ajuda. Ignorar ou minimizar esses sinais pode aumentar o risco.

“Quem quer se matar se mata mesmo”

Esse tipo de discurso contém alto teor de julgamento e é extremamente invalidante quanto ao sofrimento do indivíduo. O desejo de morrer e o desejo de viver coexistem e flutuam.

“Perguntar sobre suicídio pode incentivar a pessoa a se matar”

Outro mito. Conversar de forma acolhedora sobre o tema pode trazer alívio e mostrar que a pessoa não está sozinha. O silêncio, sim, pode ser mais perigoso.

“Só pessoas com transtornos mentais graves pensam em suicídio”

Embora condições como depressão, ansiedade e transtornos de humor estejam frequentemente associadas ao suicídio, qualquer pessoa pode passar por sofrimento intenso e ter pensamentos suicidas.

“Quem tentou uma vez não vai tentar de novo”

Infelizmente, esse é um mito perigoso. A existência de uma tentativa de suicídio anterior é um dos principais fatores de risco para uma nova tentativa e exige acompanhamento profissional próximo.

“Crianças não pensam em morte e nem fazem tentativas de suicídio”

Embora esse tipo de comportamento seja mais frequente a partir da adolescência e vida adulta, os índices de adoecimento mental em crianças têm apresentado aumento significativo e alarmante nos últimos anos – e isso engloba quadros depressivos e bullying, que aumentam o risco de suicidalidade.

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Verdades que precisam ser ditas

✅ O suicídio pode ser prevenido

Com tratamento adequado, acolhimento e apoio social, é possível reduzir significativamente os riscos.

✅ A maioria das pessoas que pensa em suicídio não quer morrer

O desejo geralmente é acabar com a dor emocional, e não com a vida. Por isso, o tratamento e a escuta são tão importantes.

✅ Conversar sobre o tema salva vidas

Falar com responsabilidade, empatia e abertura pode ajudar alguém a buscar ajuda no momento certo.

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O papel da família e dos amigos

  • Esteja atento a mudanças de comportamento, como isolamento, frases de desesperança e desinteresse por atividades.
  • Ofereça acolhimento sem julgamentos.
  • Incentive a busca por um psiquiatra.
  • Em situações de risco imediato, procure atendimento de urgência em serviço de pronto atendimento (Pronto Socorro).

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Como o acompanhamento psiquiátrico pode ajudar

O psiquiatra é o profissional capacitado para avaliar os fatores de risco, diagnosticar transtornos associados e indicar o tratamento adequado, que pode incluir:

  • Psicoterapia
  • Medicação, quando necessária
  • Orientações de rotina e suporte emocional
  • Acompanhamento contínuo para prevenção de recaídas

Com o cuidado especializado, é possível recuperar a esperança e desenvolver recursos emocionais para lidar com o sofrimento.

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Conclusão

Falar sobre o suicídio é um ato de cuidado e prevenção. Derrubar mitos e entender a realidade é fundamental para salvar vidas.

Se você ou alguém próximo apresenta sinais de desesperança ou pensamentos suicidas, não espere. Busque ajuda profissional qualificada!

Fontes Bibliográficas

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS) – Suicide Prevention. Disponível em: https://www.who.int
  2. Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) – Cartilha de Prevenção do Suicídio. Disponível em: https://www.abp.org.br
  3. American Foundation for Suicide Prevention (AFSP) – Suicide Facts and Myths. Disponível em: https://afsp.org
  4. National Institute of Mental Health (NIMH) – Suicide Prevention. Disponível em: https://www.nimh.nih.gov
  5. Manual MSD – Prevenção do Suicídio. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional
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Dra. Laura Trevizan

Psiquiatra